
O remetente é o mesmo, não sei mais o seu endereço e nem seu telefone. A verdade é que nem sei quem você é, mas mesmo assim penso em te escrever mais uma carta, porém de que adiantaria se já não eres meu amor?
Tão tosco esse sentimento que alimento por ti, que não sendo nem um e nem outro, chega a ser sem nome. Não é amor, pois não te quero mais; e nem ódio, por não te desejar mal. É apenas algo que não me deixa te esquecer e muito menos de não seguir em frente.
E por recordar de nós, tenho em mim vários pesares que não fazem parte da minha rotina. Sei distinguir um deles, a saudade, a qual não ousaria dizer ser de você, mas dos nossos momentos, que felizes foram tão poucos, no entanto necessários aos extremos.
Sorrisos tão sinceros, aquele brilho no olhar … Ah, como era bom … São reações que em mim não se manifestam mais, e seco toda vez que delas lembro.
Perdi a conta do tempo em que calei meus sentimentos mais puros. No entanto, sei contar, com precisão, sobre a minha insanidade. É por ela que me acho tão ingênua, me sentiria menos se soubesse que tudo não é em vão, mas assim mesmo te dedico algumas palvras.
E é mergulhada nessas palavras e pensamentos que muitas vezes vejo o dia amanhecer, embebida nas nossas lembranças e com um vazio dentro de mim.
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